As mãos cravei em minhas costas.
Dura um tempo para se ter a
coragem de prosseguir -
Desço os dedos as unhas por
toda espinha
Lentamente...
sinto a carne se abrir.
A pele rasga
Descola dos músculos.
A dor não é maior que
a falta de liberdade
de sentir a real agonia
desses sentimentos sem nome.
Não é maior que a falta de liberdade
para falar sobre meus incômodos.
E a abertura vai ficando mais
e mais profunda. Talvez os
ossos já saltem para fora -
já mostrem o quanto sou animal
selvagem em carne dilacerada.
Caça de mim mesme,
sem entender o que a intuição
me traz exatamente.
Estou exposte. Além de tanta
desconfiança - desses olhos todos
que me miram. Dessa insistência
das pessoas desconhecidas:
- Aqui, aqui tenho o que oferecer,
muito, muito. Veja por favor.
E o buraco no corpo aumentou.
Outro ser já pode entrar
por ali, se assim quiser.
A pele segue a rasgar;
as mãos são facas,
tesouras, britadeiras.
Acelera, diminui. Arranca,
esfola, rasga mais uma vez.
Quero me libertar e acelero
a destrinchar. Pedaços de
pele voam pelo espaço. A
respiração acompanha esse ritmo.
Até que possa dar o último suspiro,
até que na chegada os insistentes possam
degustar o que de mim resta.
Atores, atrizes e famintos. Para
sambarem sobre os meus restos, onde
a última luz da vida foi expulsa.
Mas já não me importo. Não estou mais
aqui. Minhas lembranças estão opacas.
Não me lembro de nada. Espero que haja
a chance de outra poesia. Onde arrancar-se
de si - tenha um final mais agradável,...
Mas eu não me lembro e escorro.
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