24 junho, 2013
questão de luta
Quando
o meio se aquece e os extremos vivenciam suas provas de fogo, as
imagens e chamadas se proliferam. Invadem e se recriam. E então algo que
estava inértico, algo adormecido, se desperta e levanta. No despertar a
voz não é sua, não é uma. Nem a voz, nem os olhos e nem os braços, que
se unem em um cordão de resistência. Um cordão quase que umbilical, de
uma luta que nasce. E no centro da roda infinita,
composta de todos os elementos que esperavam o momento da febre, a voz
se faz grito, e explode ecoante em uma marcha de poucas cores, mas
muitas luzes. Estar ali é sentir calor, reconhecer a dor, sentir o
palpitante músculo já não em solidão. Estar ali pode ser reconhecer
algum sentido para a vida , antes enevoada. Estar ali pode ser medo, mas
pode ser o encontro com a coragem. Pode ser perigo para quem nunca
sentiu o poder de um coletivo em vibração. Formado daqueles que buscam
as mesmas libertações. Pode se tornar o único sentido, uma vida. A
integral necessidade de lutar. Já que o que não foi prometido, não pode
ser cumprido. E ainda que o ser seja a harmoniosa conjunção com a
natureza, existe uma fábrica chamada sistema, que só em sua ruina, essa
harmonia poderá reinar. Em meio a isso meu temor mora no que pode se
tornar a histeria, ou quando a manipulação se torna matéria-prima. Pois
só se pode saber o que é resistência, quem vai para rua... e luta!
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