03 junho, 2016

Conversã

Oxum permitiu, me banhou nas tuas águas mais claras,transparentes. Cheias de doçura - amor fértil, a nascente. Na estrada, Exu me alertou, das coincidências infelizes, das desordens mentais, as falsas línguas que lhes servem. Ogum me deu armas, para que eu não entrasse nos embates. Ele trancou a casa, meu corpo. Ossanha me trouxe tantas ervas e toda cura. Yemanjá em alto mar me ensinou sobre a imensidão, o mutável e a clareza dos pensamentos em que mergulho. Obá em um raio avisou, para que eu desconfiasse. Iansã no alto da noite rasgou meu peito, minhas forças mais profundas. Omulu em uma tarde febril não deixou que eu esquecesse das fragilidades do corpo físico. Nanã, não me deixa ter medo da morte. Xangô, ao me ver sentade entre as rochas e entre as dúvidas, me ofereceu discernimento, coragem para assumir, para amar, para ouvir e para não esconder ou mentir. Para não trair. Oxóssi em tua flecha certeira e sementes traz o alimento. Me alimenta em uma oferta de criatividades e movimento. Oxumaré em um sonho me transmutou, me trocou de pele, na dança da serpente lembrou que há os cheios de exigências,vaidades, orgulhos. Esses, os covardes. Os Ibejis no jardim me permitem brincar, uma outra e outra vez. Oxalá ao me encontrar na nuvem mais alta, criou meu caminho, iluminou os obstáculos. Falou sobre paciência e me disse sim aguardando meu sorriso.

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